Núcleo da Cadeira Portuguesa

Ricardo do Espírito Santo Silva coleccionou uma grande quantidade de obras de arte, do século XV ao século XIX, compradas quer em leilões nacionais e internacionais quer a particulares. Dessa colecção faziam parte cerca de 300 cadeiras e 30 canapés/sofás que entendeu doar, criando a Fundação com o seu nome e um dos maiores conjuntos de móveis de assento em colecções portuguesas permitindo-nos, inequivocamente, uma abordagem da cadeira portuguesa enquanto objecto civilizacional.

A coerência desta colecção convida-nos a fazer uma viagem artística, técnica e social com peças que abrangem cerca de três séculos remetendo-nos também para uma abordagem à história do gosto e dos costumes.

Retiradas das reservas e de algumas salas do Museu, as cadeiras expostas, foram  agrupadas num núcleo temático que pretende dar-lhe o merecido destaque como objecto artístico, e passível de ser lido e interpretado cronologicamente, quer por tipologia e funcionalidade quer pelos materiais e técnicas construtivas.

Todas executadas em madeira, de diferentes origens e características, podemos apreciar cadeiras de vestir, de jogar e ver jogar, de encartar, de piano, de orar, de repouso, de secretária, de toucador, etc.

Do século XVII chegaram-nos cadeiras de couro ou sola, austeras e sólidas onde motivos decorativos gravados lhe conferem a sua distinção e dão continuidade a técnicas anteriores.

Do século XVIII chegam peças imponentes em madeiras, ditas exóticas, como o pau-santo, onde é visível o conforto e o luxo através de exemplares em talha, às vezes dourada, e estofo em belos veludos e brocados, que são já o reflexo de sociedades com diversas formas de gosto e de costumes.

Dos finais do século XVIII e continuando pelo século XIX, chega a leveza das estruturas, o classicismo e as linhas direitas, e um gosto particular pela pintura e revestimento em palhinha. Os espaços de sociabilidade, alguns artificiais e românticos, multiplicam-se e as casas enchem-se de objectos inspiradores de glórias e de forte influência europeia.

Hoje, esta arte de “saber-fazer” de mestres e artesãos portugueses é assegurada diariamente nas Oficinas da Fundação permitindo não só a continuidade dos modelos e das técnicas mas também criações contemporâneas.

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