Sala Cadaval

A designação dada a esta sala advém do par de telizes com as armas dos duques de Cadaval que se encontram suspensos lado a lado numa das paredes. Ricamente decorados com aplicações em prata, estas peças eram utilizadas em festividades de corte como cortejos ou touradas, cobrindo o dorso dos cavalos quando levados pela mão, sem sela. As armas de outra ilustre família portuguesa encontram-se aplicadas ao centro de um guarda-porta Indo-português que, tal como o nome indica, destinava-se a ocultar uma porta de uma sala palaciana, valorizando o ambiente e protegendo-o do frio.

Noutra parede expõe-se o tríptico do século XVI representando São Bartolomeu, Lamentação sobre Cristo Morto e São Francisco, obra atribuível a Gregório Lopes ou Garcia Fernandes e sabiamente restaurada por Abel de Moura no final da década de 1940. Entre a ourivesaria portuguesa avulta um conjunto de gomil e bacia para barba, realizado em Guimarães, em finais do século XVIII, mostrando como a gramática decorativa característica do Rococó foi bem assimilada e interpretada pelos ourives de norte a sul do País. Quanto ao mobiliário, também maioritariamente de Setecentos, o destaque vai para um par de mesas de encostar, designação que se encontra associada ao facto de serem colocadas encostadas às paredes, mas também porque, quando realizadas aos pares, poderiam unir-se formando uma mesa de centro. É o caso dos presentes exemplares, com pernas acentuadamente curvas, só possíveis pela qualidade da madeira que então chegava do Brasil, o pau-santo.

Partilhe
Sala Cadaval