Sala das Miniaturas

Expõem-se neste espaço diferentes tipologias de móveis de pequenas dimensões, a começar por um conjunto de peças destinadas a serem utilizadas nos estrados que foram de uso corrente durante séculos nos países de irradiação islâmica. Predominantemente femininos eram utilizados para diversas tarefas como bordar, ler ou conversar e normalmente colocados ao centro ou, de preferência, no canto de uma sala, cobertos por um tapete como o que aqui se reconstitui. Os móveis de estrado possuíam portanto altura apropriada à posição de quem os utilizava (sentavam-se em almofadas, de pernas cruzadas), e encontravam-se quase sempre dotados de uma gaveta para guardar utensílios de costura, livros, entre outros objectos.

As duas cómodas-papeleiras de pequenas dimensões constituem bons testemunhos da destreza técnica dos nossos marceneiros e da excelência das madeiras exóticas empregues, podendo corresponder a mais pequena a uma “prova de exame”. Mandava o respectivo Regimento que um oficial só poderia considerar-se apto para o exercício do seu mester se tivesse prestado uma prova com regras determinadas e que passava muitas vezes pela realização de uma peça de mobiliário em miniatura. O exemplar de maiores dimensões poderá corresponder a um móvel de estrado, permitindo o batente aberto servir à escrita e à leitura.

Já o conjunto de camilhas destinadas ao Menino Jesus e as duas cadeiras de imagem, evocam o ambiente piedoso vigente nas antigas residências portuguesas. Filiam-se estas peças nos protótipos dos leitos e cadeiras utilizadas pelas classes mais abastadas podendo, no caso das camilhas, ser dada a conhecer a sua evolução estilística, do Barroco ao Neoclássico passando pelo Rococó.

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