Salão Nobre

O principal compartimento do palácio Azurara conserva um conjunto diversificado de peças, abrangendo um leque temporal de cinco séculos. Especial atenção merece um núcleo muito consistente relacionado com a Expansão portuguesa, onde sobressai uma tapeçaria em lã e seda tecida em Tournai, que espelha através de um cortejo com girafas, outros animais e diferentes personagens o exotismo do Oriente dado a conhecer através dos Descobrimentos. Já o gomil em porcelana da China decorado com a esfera armilar, empresa de D. Manuel I (1469-1521), assinala as primeiras encomendas nacionais aos célebres centros de manufactura daquele país. Com requintada decoração embutida de cariz naturalista, o pequeno escritório Indo-Português executado no norte da Índia, na região do Grão-Mogol, obedece a uma estrutura formal muito próxima do seu modelo de origem europeia, certamente levado nas naus portuguesas. A mesa e os dois contadores foram já executados no sul daquele território, na região de Goa, como atestam os embutidos de configuração geométrica, e as pernas em teca entalhada. Revelando a influência dos têxteis orientais em Portugal, o grande tapete de Arraiolos encontra-se bordado com o chamado “padrão de bichos”, bastante representativo daquela indústria durante a primeira metade do século XVIII.

Partilhe
Salão Nobre